Este será um espaço de reflexão e de partilha sobre assuntos relacionados com os temas da Segurança Interna, da Defesa Nacional e afins...
publicado por Vera Lourenço de Sousa | Segunda-feira, 23 Janeiro , 2012, 08:12

As raízes das informações remontam à antiga china (a época da Arte da Guerra de Sun Tzu)  e à era bíblica (Peterson, 1994, Richards, 2010).

 

A análise de Informações sempre integrou o trabalho desenvolvido por várias agências como a Central Intelligence Agency (CIA), a Mossad, o KGB e os Serviços Secretos Ingleses.

 

Na verdade esta questão das informações advém de um método muito antigo utilizado pelos militares e que era conhecido pelo “dossier-system”. Os arquivos de informações eram dossiers que armazenavam a informação, por exemplo sobre pessoas ou ameaças (Carter, 2004).

 

Terá sido nos EUA que as informações policiais, com destaque para a análise de informações, tiveram um maior progresso.

 

O uso das informações pela polícia dos EUA remonta aos anos 20 e 30, altura em que se começou a recolher informação sobre os anarquistas. Nos anos 50 terá ganho um novo alento por causa da Máfia (Peterson, 1994).

 

Em 1971 foi publicado um manual que serviu de suporte para aqueles que trabalhavam nesta área – Basic Elements of intelligence (Godfrey and Harris). Foram estes os autores que pela primeira vez descreveram o ciclo de produção de informações (Peterson, 1994).

 

Também por esta altura,o Departamento de Justiça da Califórnia seguido da polícia do estado de New Jersey começou a desenvolver e usar algumas técnicas de análise de informações que rapidamente se foram disseminando por várias organizações. A análise de grupos, a análise de comunicações telefónicas, os gráficos de acontecimentos e a análise de investigação visual (visual investigative analysis – VIA – que consistia em fluxogramas de acontecimentos) com a qual foi investigado o homicídio do presidente Robert F. Kennedy são apenas alguns exemplos (Peterson, 1994).

 

Em 1976 uma nova edição do livro Basic Elements of intelligence (Godfrey and Harris mostrava já que existiam várias agências a utilizar métodos de análise. Também por esta altura começaram a existir as primeiras formações na área, promovidas pelas mais diversas entidades públicas e privadas (Peterson, 1994).

 

Os anos 80 trouxeram a informatização das técnicas de análise o que veio simplificar o trabalho dos analistas (Peterson, 1994).

 

Consequentemente nesta década, a análise passou a ter um uso mais alargado face aos investimentos feitos pelo Governo Americano no programa “Regional Information Sharing Systems” (RISS) administrado pelo Departamento de justiça. Este programa incluía a análise como serviço central. Este sistema/programa desenvolveu sofisticados produtos de análise que viriam a ser usados por cerca 4.000 agências de aplicação da lei e promoveu a necessária formação. Atualmente o RISS é usado também pela Austrália, Canadá, Inglaterra e Nova Zelândia e permite o acesso a várias bases de dados de informações, fornecendo uma série de serviços essenciais à investigação, incluindo naturalmente, a partilha de informação, o apoio em termos de análise, a formação, publicações, entre tantos outros (Peterson, 1994).

http://www.riss.net/

 

Em 1980 foi criada, por um grupo de analistas americanos e canadianos, a primeira associação internacional de analistas – Internacional Association of Law Enforcement Intelligence Analyst (IALEIA). Com cerca de oitocentos mil membros nos EUA, Canadá, Austrália, China, Inglaterra e outros países, o principal objetivo desta associação foi o de profissionalizar o trabalho da análise de informações no campo “da aplicação da lei”.  Atualmente dispõe de duas publicações de referência – Law enforcement intelligence analysis Digest e IALEIA JOURNALe possui várias iniciativas relacionadas com a formação, o desenvolvimento de carreiras, acreditação, entre outros. É atualmente a maior associação internacional de analistas do mundo (Peterson, 1994).

http://www.ialeia.org/

 

Em 1990, surge outro grupo similar com a designação de Internacional Association of crime Analyts (IACA) que teve como principal objetivo providenciar assistência às agências que implementavam unidades de análise de informações. Em 1994 dispunha já de cerca de duzentos mil membros. Providencia à semelhança da IALEIA apoio ao nível da formação, certificação, entre outros (Peterson, 1994).

http://www.iaca.net/

 

Com isto foram surgindo vários grupos que apoiavam o uso da análise de informações no trabalho da polícia, entre eles, a Internacional Association of Chiefs of Police, que deu espaço à IALEIA na sua conferência anual. Em 1985 esta associação desenvolveu um manual sobre informações criminais tendo sublinhado a importância das informações no desenvolvimento de estratégias policiais para responder aos problemas da criminalidade, de forma criativa e proactiva, ao invés de uma outra abordagem ineficiente que consistia em reagir a acontecimentos já passados. Um estudo verdadeiramente visionário para 1985 (Peterson, 1994).

http://theiacp.org/

 

Em 1990 surgem as preocupações relacionadas com a certificação do trabalho de análise, tendo sido criado o grupo Society of the Certified Criminal Analysts, um associado da IALEIA que tinha como objetivo criar padrões e testes para certificar os analistas. Foram estabelecidos padrões mínimos de formação e experiencia profissional e depois de uma fase lenta de implementação a primeira certificação surgiu em 1991. Em 2005, cerca de 200 pessoas em todo o mundo reuniam os requisitos. De 3 em três anos os analistas são submetidos a novos testes (Peterson, 1994).

 

Também em 1990 foi publicado o primeiro manual sobre técnicas de análise de informações – Criminal intelligence Analysis (Andrews e Peterson). Este livro abordava sete métodos de análise de informações, como por exemplo, análise de grupos, análise de chamadas telefónicas entre outros (Peterson, 1994).

 

A partir de 1991 deu-se uma evolução enorme na formação básica de análise, tendo sido integrada em vários currículos (Peterson, 1994).

 

Carter, David L. Law Enforcement Intelligence: a guide for state, local and tribal law enforcement agencies, 2004

Peterson, Marilyn B., Applications in Criminal Analysis: A Sourcebook, Praeger, 1994

Richards, Julian, The Art and Science of Intelligence Analysis, Oxford University Press, 2010


mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
links
Direitos de Autor
Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição 3.0 Unported.
Janeiro 2012
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
20
21

22
24
27
28

30


badge
blogs SAPO