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publicado por Vera Lourenço de Sousa | Quinta-feira, 26 Janeiro , 2012, 08:00

Fluxogramas de atividades (Activity Flow Chart) e de eventos (Event Flow Chart)

 

Os fluxogramas servem para representar o fluxo de atividades ou eventos com uma determinada sequência (Stering, 2008).

 

O fluxograma de atividades representa, de forma genérica, as ações criminosas com destaque para o modus operandi. O objetivo é ajudar a estabelecer padrões de comportamento associados a um determinado crime ou grupo criminoso.

 

Este tipo de fluxogramas é constituído por caixas ou outros símbolos que contêm informação. As caixas podem ser ligadas entre si através de traços contínuos quando se está perante ligações conhecidas ou traços descontínuos quando se está perante ligações suspeitas. Estes traços podem conter setas cujo objetivo é demonstrar a direção do fluxo da atividade. Os eventos representados não são específicos, mas devem dar uma visão geral da atividade criminosa. Podem ser usados, por exemplo, para descrever e explicar um crime que inclua lavagem de dinheiro. (Peterson, 1994, Peterson, Fahlman, Ridgeway, Erwin, Kuzniar, 1996).

 

Trata-se na realidade de uma série de caixas ligadas entre si e que contam uma história com uma sequência determinada (Stering, 2008)

 

 

Fluxograma de atividades - assalto a um banco adaptado de Peterson, 1994, pág. 96

 

O fluxograma de eventos serve para representar uma série de eventos associados a uma atividade criminal. Os eventos são dispostos de forma cronológica dentro de caixas/retângulos ligados por traços contínuos e setas que mostram a direção do fluxo. Difere do fluxograma de atividades, porque é mais específico e porque usa acontecimentos concretos que podem incluir datas. É normalmente usado em casos de crimes concretos (Stephen, 2012, Peterson, 1994, Peterson, Fahlman, Ridgeway, Erwin, Kuzniar, 1996)

 

 

 

Fluxograma de eventos – homicídios em série, adaptado de Peterson, 1994, pág. 113. Fonte: Facts from Donald J. Sears, To Kill Again, Wilmington, DE: Scholarly Resources, 1991

 

Análise de associações (Association Analysis) inclui matrizes e diagramas de associações

 

A análise de associações entre nós conhecida por análise de grupo de autores serve para representar a relação entre pessoas, grupos, empresas e outras entidades permitindo ao investigador e à autoridade judiciária conhecer o grupo e a forma com está organizado e interage. Esta informação constará dos mais diversos registos, tais como relatórios, relatórios de vigilância, entrevistas, testemunhos, entre outros. (Peterson, 1994, Peterson, Fahlman, Ridgeway, Erwin, Kuzniar, 1996)

 

 Pode ser realizado manualmente através de um método próprio (ver por exemplo Stering, 2008) ou através de programas informáticos. A informática trouxe de facto uma mais-valia ao trabalho dos analistas. Disso ninguém dúvida. Ainda assim é fundamental compreender toda a dinâmica deste trabalho que envolve um método único. Estamos convencidos que o conhecimento dessa metodologia permitirá ao analista/investigador compreender melhor a dinâmica criminal e consequentemente preparar melhor a investigação do caso em concreto. O uso dos programas informáticos por si só não significará melhor investigação criminal.

 

As matrizes e os diagramas de associações são as técnicas de referência da análise de associações ou de grupo de autores. O diagrama é uma consequência da matriz e serve para representar as relações entre pessoas, empresas, etc. Os símbolos usados são standartizados. As pessoas, por exemplo são representadas por círculos e as empresas por retângulos e são ligados por linhas contínuas ou descontínuas, consoante se trate de relações confirmadas ou suspeitas. Para além destes existem outros símbolos que podem ser usados (Peterson, 1994, Stering, 2008).

 

O objetivo é proporcionar uma visualização das relações existentes e uma compreensão mais detalhada do caso. As técnicas permitem ter uma perspetiva diferente da informação descritiva que compunha o processo. A partir daqui, o analista/investigador estará, certamente, em melhores condições para encetar novas diligências de forma a completar o seu diagrama e melhor entender o caso.

 

 

 

 

 

 

Pode perfeitamente utilizar-se o Microsoft word, mais concretamente as caixas de texto e as formas ou utilizar programas específicos, alguns deles disponíveis na net.

http://www.rff.com/sample_criminal_analysis.htm

http://www.smartdraw.com/specials/ppc/flow-chart.htm?id=140586&gclid=CJ6L5YSC660CFQcSfAodP3lz5A

 

Para além destes, existem outros, como é o caso do Analys´t Notebook que fornece uma série de recursos de análise de informações e que permite transformar grandes quantidades de informação em “intelligence” de grande utilidade, por exemplo, para as polícias. A título de

curiosidade, cerca de 80% das organizações de segurança nacional de todo o mundo utilizam soluções do i2 que administra igualmente a maior partilha de informações para as forças policiais do mundo.

http://www.i2group.com/pt

 

 

Peterson, Marilyn B, Applications in criminal analysis – a sourcebook, Praeger, 1994

Peterson, Marilyn B, Fahlman, R., Ridgeway, R, Erwin, P., Kuzniar, M, Successful Law Enforcement Using Analytic Methods, IALEIA, 1996, consultado em 25 de Janeiro de 2012 em http://www.ialeia.org/files/other/Successful%20Law%20Enforcement%20Using%20Analytic%20Methods.pdf

Stephen, Mallory, Understanding Organized Crime, Criminal Justice Illuminated, 2012

Stering, Robert S. Police officer's handbook: an analytical and administrative guide, Westfield State College, 2008

 

 

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