Este será um espaço de reflexão e de partilha sobre assuntos relacionados com os temas da Segurança Interna, da Defesa Nacional e afins...
publicado por Vera Lourenço de Sousa | Terça-feira, 31 Janeiro , 2012, 08:00

Fluxograma de mercadorias (commodity flow analysis)

 

Os fluxogramas de mercadorias pretendem representar, tal como o próprio nome indica, o movimento de bens ou moeda entre as pessoas ou empresas por forma a compreender a atividade criminosa.

 

Tal representação pode ajudar o analista/investigador a melhor compreender o enredo existente, a hierarquia do grupo ou a forma como a rede se organiza em termos de distribuição do produto do crime. Deve ser acompanhado de um resumo escrito e de um esboço biográfico das pessoas e dos grupos envolvidos. Dará lugar, naturalmente a recomendações operacionais e consequentemente novas diligências (Peterson, 1994, Peterson, Fahlman, Ridgeway, Erwin, Kuzniar, 1996).

 

É construído com caixas ligadas por linhas com setas direcionais. No interior das caixas pode inscrever-se o nome de pessoas, empresas, grupos entre os quais se vai movimentando a “mercadoria”. A atividade propriamente dita é normalmente evidenciada fora das caixas ao longo dos traços. É aí que o movimento ocorre, quer se trate de dinheiro, droga, produtos contrafeitos, etc. As datas também podem ser incluídas, por exemplo para mostrar o intervalo de tempo.

 

Naturalmente que um fluxograma desta natureza pode ajudar o analista/investigador a compreender melhor a natureza do grupo, a extensão da atividade, as pessoas que beneficiam do lucro, etc (Peterson, 1994, Peterson, Fahlman, Ridgeway, Erwin, Kuzniar, 1996).

 

 

 Fonte: Carter, 2004, p. 62

 

Outro exemplo:

 

 Fluxograma de mercadorias – “lavagem de dinheiro”, adaptado de Peterson, 1994, pág. 204.

 

Análise visual da investigação (Visual investigative analysis)

 

Este tipo de análise consiste em sistematizar cronologicamente num gráfico a sequência das atividades de uma investigação criminal ou das atividades criminosas. Pode ser acompanhada de outra informação, como é, por exemplo, o caso dos resultados das atividades. Permite, por exemplo a um gestor verificar quais as ações que já foram levadas a cabo pelos investigadores (Peterson, Fahlman, Ridgeway, Erwin, Kuzniar, 1996)

 

O gráfico típico deste tipo de análise (VIA Chart) tem um formato standard mas não deixa de ser uma construção quase informal. É muitas vezes feito em papel e fixo à parede nos gabinetes dos investigadores (Peterson, 1994).

 

Em regra utiliza linhas contínuas com setas que representam uma única atividade e a descrição das atividades é colocada por cima dessa linha. As linhas surgem entre nós ou números que representam o início e o fim dessa atividade. Os nós são representados com círculos ou triângulos. Os triângulos representam o fim de uma sequência de atividades. Todos os outros nós são círculos (Peterson, 1994, Gladyshev, 2004).

Podem desenhar-se igualmente linhas descontínuas que representam atividades que não consomem tempo. São normalmente usadas para desenhar atividades paralelas que tem um início e fim simultâneos.

 

 Na construção destes gráficos a primeira etapa é a identificação das atividades e a segunda a sua ordenação que é determinada por três questões essenciais sobre cada atividade:

  1. Que atividade precede esta;
  2. Quais as atividades simultâneas a esta;
  3. Que atividade se seguem a esta.

Durante o decorrer da segunda epata é normal que se verifique que é necessário informação adicional de que não dispomos ainda e tal facto constitui o trabalho da terceira etapa antes de darmos por concluído o nosso gráfico. A possibilidade de sugerir investigações adicionais é uma das mais valias deste tipo de análise. O processo de construção do gráfico intercala-se com novas investigações até que todos os cenários, exceto um, serão eliminados (Gladyshev, 2004).

   

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Gráfico VIA – Adaptado de Gladyshev, 2004, pág. 40

 

 

Gladyshev, Pavel,  Formalising Event Reconstruction in Digital Investigations, Ph.D. Dissertation,  2004 consultado em 26 de Janeiro de 2012 em http://www.formalforensics.org/publications/thesis/chapter4.pdf

Peterson, Marilyn B, Applications in criminal analysis – a sourcebook, Praeger, 1994

Peterson, Marilyn B, Fahlman, R., Ridgeway, R, Erwin, P., Kuzniar, M, Successful Law Enforcement Using Analytic Methods, IALEIA, 1996, consultado em 25 de Janeiro de 2012 em http://www.ialeia.org/files/other/Successful%20Law%20Enforcement%20Using%20Analytic%20Methods.pdf

 


mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
links
Direitos de Autor
Licença Creative Commons
Esta obra foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição 3.0 Unported.
Janeiro 2012
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6
7

8
9
10
11
12
13
14

15
16
20
21

22
24
27
28

30


badge
blogs SAPO