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publicado por Vera Lourenço de Sousa | Sábado, 04 Fevereiro , 2012, 17:47

Análise de comunicações telefónicas (inclui matrizes e diagramas de comunicações)

 

A análise de comunicações telefónicas tem origem na informação que é fornecida pelas operadoras e que pode incluir várias categorias de dados. A análise dessa informação pode permitir compreender melhor a atividade criminosa, a estrutura dos grupos, o papel de cada um e pode servir inclusive para conhecer pessoas que à partida eram desconhecidas da investigação (Peterson, 1994).

 

Note-se no entanto que o que está aqui a ser analisado é o n.º de telefone de onde é efetuada a chamada e o n.º de telefone para onde é realizada a chamada. Não significa, portanto, que determinada pessoa contactou outra (Criminal Intelligence Training, Manuel for analysts, sem data).

 

Deve incluir o respetivo diagrama de comunicações seguido de um relatório escrito e das devidas recomendações (Peterson, 1994).

 

Que mais-valia pode trazer este tipo de análise para o analista/investigador?

- A identificação dos números de telefone para os quais o telefone do suspeito liga, pode naturalmente ser uma mais-valia abrindo outras linhas de investigação;

- A identificação de padrões e números comuns para os quais são efetuadas as chamadas;

- A frequência de chamadas;

- Possivelmente a identificação dos “associados”;

- A localização do telefone que inicia a chamada;

 

A “construção” da matriz e do diagrama de comunicações assemelha-se à da matriz e do diagrama de associações. O formato e a lógica são os mesmos. A matriz inclui os números da fonte (os que iniciam as chamadas) e os de destino (os que recebem a chamada) e na interceção inscreve-se o número das chamadas efetuadas. O diagrama inclui os círculos onde são inscritos os números  de telefone, as linhas contínuas com setas direcionais e o número de chamadas efetuadas ou recebidas.

 

 

Matriz de Comunicações

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diagrama de Comunicações – adaptado de Criminal Intelligence Training, Manual for analysts, sem data, pág. 53.

 

Existe naturalmente um método próprio para a construção das matrizes e diagramas de comunicações.

 

Linha de tempo (Time line)

 

Como já referimos (1ª parte), os eventos ou acontecimentos associados a uma atividade criminosa podem ser representados através de fluxogramas de eventos.

 

Mas existe uma outra forma gráfica de os representar – as conhecidas linhas de tempo - que apresentam um formato ligeiramente diferente.

 

A linha de tempo é construída por vários símbolos. Cada interveniente constará num círculo e possui a sua linha de eventos. Nela serão afixados os acontecimentos onde terá estado envolvido. Esses serão colocados em retângulos (que podem incluir igualmente a data, referencia ao relatório, avaliação da fonte e da informação). Os factos conhecidos serão representados com linhas contínuas e os desconhecidos/suspeitos com linhas descontínuas. Quando existirem factos comuns a mais do que um interveniente, as linhas de tempo de cada um devem-se unir no retângulo correspondente. Um triângulo no final de uma linha de tempo indicará o final das atividades (Peterson, 1994, Peterson, Fahlman, Ridgeway, Erwin, Kuzniar, 1996).

 

 

 

Criminal Intelligence Training, Manual for analysts, sem data consultado a 1 de Fevereiro de 2012 em

http://www.ialeia.org/files/docs/UN%20Analyst%20Manual-cert%20study%20guide.pdf

 

Peterson, Marilyn B, Applications in criminal analysis – a sourcebook, Praeger, 1994

 

Peterson, Marilyn B, Fahlman, R., Ridgeway, R, Erwin, P., Kuzniar, M, Successful Law Enforcement Using Analytic Methods, IALEIA, 1996, consultado em 25 de Janeiro de 2012 em http://www.ialeia.org/files/other/Successful%20Law%20Enforcement%20Using%20Analytic%20Methods.pdf

 


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