Este será um espaço de reflexão e de partilha sobre assuntos relacionados com os temas da Segurança Interna, da Defesa Nacional e afins...
publicado por Vera Lourenço de Sousa | Segunda-feira, 07 Janeiro , 2013, 23:53

A transição da Polícia Civil de Lisboa para a Polícia Cívica de Lisboa

 

"No dia 3 de Outubro de 1910 os conspiradores republicanos, bem infiltrados entre as forças militares, avançaram até à Rotunda apenas incomodados por alguns tiros da Guarda Municipal e da Polícia. Ao raiar do dia 4 a revolução tinha fracassado, as tropas estavam acantonadas na Rotunda, a Carbonária não dava sinal de si, e a Guarda Municipal parecia dominar a cidade. Os membros do directório do partido republicano andavam pela cidade, a maior parte no centro do partido em S. Carlos, paredes-meias com o edifício do Governo Civil e Comando da Polícia. À tarde, forças governamentais atacaram as forças na Rotunda que resistiram subindo o moral dos republicanos. No Tejo cruzadores afectos aos republicanos bombardearam as Necessidades e foram

depois estacionar junto à alfândega. Ficava claro, mesmo antes de os combates começarem a sério, que as forças republicanas estavam em superioridade. Às dez da manhã do dia 5 nos Paços do Concelho de Lisboa foi proclamada a República de Portugal. Praticamente sem combates a monarquia tinha caído, morreram 70 pessoas, apenas 10 eram militares. 5 eram polícias (Ramos, 2001).

 

A ordem de serviço do dia 4 da Polícia Civil revelava ainda alguma normalidade. Distribuía-se o serviço aos oficiais superiores, indicava-se a inspecção médica a alguns guardas. No dia 5, estranhamente, manteve-se a normalidade, novamente se distribuía o serviço e até se procedia à transferência de esquadra de uns, poucos, policias. Entre os dias 6 e 8 de Outubro praticamente não existiram ordens de serviço. Antes da ordem de dia 9 o livro de registo apresenta dois traços vermelhos logo seguidos em letra grande – Polícia Cívica, Segurança Pública – e por baixo, Ordem de Serviço nº 1. O comandante despedia-se: “durante [os] 17 anos [que] vos comandei tive muitas ocasiões de notar quanto éreis dedicados pelo serviço e cumpridores das leis, respeitando sempre os vossos superiores; por isso peço-vos que continueis a servir com a mesma lealdade a Republica, sistema governativo escolhido pela nação que temos por dever respeitar e defender.” Novos tempos tinham chegado."

 

Fonte:  A CONSTRUÇÃO DE UMA POLÍCIA URBANA (LISBOA, 1890 – 1940) INSTITUCIONALIZAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E PRÁTICAS

Cândido Gonçalo Rocha Gonçalves, Tese de Mestrado, 2007, ISCTE

 

Foto: o povo em frente à CM aclama a proclamação da República. Cedida à TVI por Arquivo Municipal de Lisboa 

 

 

 


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