Este será um espaço de reflexão e de partilha sobre assuntos relacionados com os temas da Segurança Interna, da Defesa Nacional e afins...
publicado por Vera Lourenço de Sousa | Segunda-feira, 11 Março , 2013, 19:02

Em 1865 decorreu no Palácio de Cristal no Porto a 1ª Exposição Internacional da Indústria. A exposição representava uma possibilidade de atualização de conhecimentos científicos e tecnológicos e a troca de experiências internacionais. Foi considerada um marco nacional e uma oportunidade de aumentar as trocas comerciais e de mostrar ao Mundo um Portugal civilizado e moderno. Na mesma estiveram presentes cerca de 3140 expositores de várias nacionalidades incluindo por exemplo França, Alemanha, Bélgica, Brasil e representantes dos Estados Unidos, Japão, Rússia, Turquia, entre outros e uma afluência de milhares de visitantes.

 

 
Por essa ocasião o Governo Civil instituiu a Agência Policial Portuense. A literatura aponta-a como o primeiro corpo de polícia civil em Portugal. Pretendia-se que durante o período da exposição policiasse a cidade, zelando pela ordem pública e que garantisse a proteção de pessoas e bens no interior do Palácio, se mostrasse moderna, profissional, com técnica e que soubesse usar a força (Santos, 2006, Cerezales, 2008, Gonçalves, sd).

 

Deteve um regulamento próprio, uniforme a arma. Os Guardas usavam casaco de pano azul, bonets do mesmo pano à francesa e terçado pendente de um cinturão. Era constituída pelos elementos das regedorias. Aqueles que se consideravam ser os melhores. Com experiência, de confiança, e conhecedores do meio (Santos, 2006, Cerezales, 2008, Gonçalves, sd).

 

A Agência integrou cerca de 140 guardas e sua ação foi extremamente aplaudida pelas elites da cidade do Porto que a referenciavam como um enorme êxito argumentando a favor da sua continuidade após o terminus da Exposição. E muito embora tenha reduzido o número do seu efetivo, a verdade é que se manteve até que fosse criada a Polícia Civil (Santos, 2006, Cerezales, 2008, Gonçalves, sd).

 

“Em Junho de 1866 discutiu-se na câmara dos deputados a legalização da despesa já feita e a fazer durante 1866. No ar estava já uma futura reforma de todo o sistema de segurança pública. Carlos Bento, na oposição, exclamava “não compreendo bem para que se há de conservar este corpo de polícia. Para experiência de quê, Senhores?”. A experiência - o “ensaio” - era uma polícia puramente civil”. (Gonçalves, sd, página 9).

 

Fontes:

Gonçalo Rocha Gonçalves (sd) Uma polícia para “todas as horas e todos os momentos”: a criação das polícias civis na transformação liberal do Estado (1862 – 1868), disponível aqui

 

Maria José Moutinho Santos (2006), A introdução de polícia civil em Portugal: entre projectos e realidades, os equívocos de uma política de segurança, um artigo integrado no livro Lei e ordem, justiça penal, criminalidade e polícia Seculos XIX-XX sob a coordenação de Pedro Tavares de Almeida e Tiago Pires Marques

 

Diego Palacios Cerezales, 2008 ESTADO, RÉGIMEN Y ORDEN PÚBLICO EN EL PORTUGAL COMTEMPORÁNEO, Tese de Doutoramento da FACULTAD DE CIENCIAS POLÍTICAS Y SOCIOLOGÍA, UNIVERSIDAD COMPLUTENSE DE MADRID, disponível aqui.

 

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