Este será um espaço de reflexão e de partilha sobre assuntos relacionados com os temas da Segurança Interna, da Defesa Nacional e afins...
publicado por Vera Lourenço de Sousa | Quinta-feira, 16 Julho , 2015, 21:25

Hoje deixamos-vos um artigo escrito por Sue Rahr e Stephen K. Rice, que discorre sobre o que deve ser a polícia e a necessidade de abandonar a mentalidade de guerreiro e assumir “de uma vez por todas” a vestidura de guardião!

 

Algumas notas:

  1. Os laços de proximidade entre polícia e cidadão por vezes substituídos por apetrechos, armamento, tecnologias e fanatismo pelas estatísticas criminais;
  2. A diminuição do crime, a aposta nas novas tecnologias e no reforço das táticas de intervenção não têm produzido aumentos na confiança da população para com a polícia;
  3. O cidadão preocupa-se pouco com os índices de criminalidade e muito com a forma como é tratado pela polícia;
  4. O importante é a perceção que o cidadão tem da imparcialidade da polícia quando consigo ou com a comunidade interage. Justiça e coerência de tratamento são fundamentais;
  5. É necessário ouvir, explicar e tratar com equidade e dignidade (LEED model Listen and Explain with Equityand Dignity). Treinar os polícias para ouvir as pessoas, explicar o que vai acontecer, como funciona, porque é que aquela decisão foi tomada, fazê-lo de forma transparente e deixar a pessoa com a sua dignidade intacta após a interação;
  6. Os responsáveis policiais devem garantir que as práticas existentes na sua organização assentam também elas na justiça, na transparência e no próprio modelo LEED – ouvir, explicar, equidade e dignidade. Aquilo que fazemos aos outros é o reflexo do que se faz na própria instituição. A cultura organizacional não pode confluir com os princípios que devem nortear a atuação polícia – cidadão;
  7. Cuidado com as “mentalidades guerreiras”. As sementes desta cultura não podem ser “plantadas” durante a formação, “tipo modelo militar”, um modelo projetado para produzir guerreiros prontos para a batalha e sem capacidade de decisão. Os responsáveis pela polícia nunca vão conseguir estabelecer normativos e procedimentos que cubram a variedade de situações que os polícias enfrentarão na rua;
  8. Os polícias têm de ser ensinados a “pensar”. As diferentes realidades do policiamento exigem pensamento crítico e capacidade para tomar decisões. Este deve ser o principal objetivo da formação e não a memorização;
  9. Deve ser dada especial atenção à ciência do comportamento humano nos currículos da formação policial. O intelecto e a destreza social são ferramentas determinantes. Mas isso não significa que deva existir uma “redução” naquilo que diz respeito às técnicas de intervenção policial. Essas habilidades serão sempre necessárias para lidar com indivíduos que se recusam a cumprir e que representam uma ameaça imediata... e nisso os polícias também têm de ser exemplares;
  10. Não devemos formar policiais como formamos soldados. As suas missões são completamente diferentes. O soldado é um guerreiro cuja principal missão é conquistar e o policia é um guardião que deve proteger;
  11. Isto não passa por uma “batalha” entre “nós” e “eles”.

Boas leituras

 


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