Este será um espaço de reflexão e de partilha sobre assuntos relacionados com os temas da Segurança Interna, da Defesa Nacional e afins...
publicado por Vera Lourenço de Sousa | Segunda-feira, 24 Agosto , 2015, 23:53

Depois das férias estamos de regresso ao Segurança interna e Defesa Nacional. Hoje deixo-vos o discurso que o então London Metropolitan Police Commissioner, Sir Ian Blair, apresentou em 2005 na BBC. Não é habitual existirem discursos proferidos por responsáveis policiais na BBC. Ele foi o segundo polícia Britânico a fazer um discurso sobre "A Polícia" na BBC.  

 

O discurso incita-nos a reflectir sobre as diversas missões da Polícia, o tipo de serviço policial que queremos no futuro, quem o poderá decidir e como fazê-lo.

 

O Segurança Interna e Defesa Nacional realça as seguintes ideias:

  1. É fundamental repensar o papel da Polícia. Depois das atrocidades em Nova Iorque, Madrid e Londres, depois de Bali, Casablanca, Istambul, Deli e Jordânia, os temores relativos à segurança das pessoas são uma constante e fazem já parte intrínseca desta época ameaçando constantemente a liberdade de todos nós;
  2. É hora de decidir que tipo de serviço de polícia queremos;
  3. A polícia trabalhou durante muito tempo no pressuposto de que o serviço que a população quer é local, visível, acessível, familiar, responsável e amigável;
  4. Mas em simultâneo a população deseja uma polícia capaz de lidar com o terrorismo, os homicídios, os sequestros e as violações;
  5. A população quer que a polícia “seja muitas coisas”. Quer que sejam os agentes de último recurso mas no caso das emergências e dos acidentes querem que sejam a “primeira resposta”;
  6. A população quer todas essas coisas “mas eu não tenho a certeza que a população saiba quem é a polícia”;
  7. Durante muito tempo a polícia existiu para salvaguardar os direitos de uma população predominantemente de raça branca e do sexo masculino, hoje há mais mulheres do que homens e a população de Inglaterra é caracterizada por uma mistura de comunidades que vão desde os africanos, judeus, leste europeu, china, ásia, caribe, entre outros;
  8. Actualmente a polícia necessita de integrar nos seus quadros pessoas dessas comunidades… de todas as raças e credos;
  9. A diversidade da polícia deve coincidir com a diversidade existente em Londres;
  10. Mas apesar disso começar a acontecer não foi objecto de reflexão pública. Dentro da própria polícia existem visões muito distintas. Existem grandes desafios, mas não há discussão nem reflexão séria… e assim a polícia vai tentando adaptar-se para encontrar soluções;
  11. Em 1997 o objectivo primordial do serviço policial, emitido pelo governo trabalhista era: "construir uma sociedade justa, tolerante e segura  em que os direitos e responsabilidades dos indivíduos, famílias e comunidades são devidamente equilibrados, e a protecção e segurança população é mantida";
  12. Mas a verdade é que “prender” os criminosos é central para o policiamento e nós somos muito bons nisso e cada vez melhores;
  13. Só este ano em Londres, por exemplo, detectámos mais de 40.000 crimes mais do que fizemos no ano passado;
  14. No entanto, não há nenhum consenso se o estamos a fazer bem ou mal, porque na verdade existe uma disparidade muito grande de opiniões acerca daquilo que a polícia deve fazer!
  15. Começa agora a discutir-se abertamente uma mudança na composição da “força de trabalho” com mais polícias no apoio à comunidade e uma relação diferente entre os polícias que desempenham funções operacionais e os que desempenham funções administrativas. Aliás este último ponto é muito importante. O número de polícias que exercem serviços administrativos é uma verdadeira obsessão política. A sua função que é fundamental para o bom funcionamento da polícia é incompreendida e menosprezada;
  16. A polícia não pode funcionar sem os cozinheiros, os telefonistas, os analistas, os fotógrafos, os especialistas forenses, os motoristas. Todos eles também fazem parte do número de polícias que combatem a criminalidade;
  17. E a verdade é que o policiamento não se avalia pelo número de polícias existentes. Os hospitais não são julgados apenas pelo número de camas nem a educação pelo número de professores…o número de policiais por si só não deve ser a confirmação de um policiamento eficaz;
  18. Em 1964 Robert Kennedy, então procurador-geral dos Estados Unidos, disse que “a sociedade terá o tipo de criminosos que merece”, mas é igualmente verdade que “a sociedade terá a aplicação da lei que insiste em ter”;
  19. “Eu não sei se devemos ter um grupo que estude a polícia ou se a discussão deve passar pelas escolas, universidades, se deve ser uma reflexão pública e alargada, o que eu sei é que é urgente debater isto”… “eu não sei as respostas, mas sei que o policiamento é importante… é tão importante como a saúde, a educação…”
  20. Clemenceau disse que a “guerra é um assunto demasiado importante para se deixar apenas para os generais. De igual forma podemos dizer que “ a Polícia é demasiado importante para se deixar apenas para os comandantes da polícia e para os políticos”;
  21. O serviço policial necessita de um debate público que o “ajude” a ajustar-se a uma sociedade multicultural, uma sociedade que corre por vezes graves perigos, “mas onde eu quero viver com os meus filhos”;
  22. A polícia é o público e o público é a polícia. Você e eu somos um só e temos de tomar decisões. Que polícia queremos?

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