Este será um espaço de reflexão e de partilha sobre assuntos relacionados com os temas da Segurança Interna, da Defesa Nacional e afins...
publicado por Vera Lourenço de Sousa | Domingo, 18 Dezembro , 2016, 21:02

Hoje deixo-vos um interessante artigo de Gonçalo Rocha Gonçalves. Conheça melhor o processo de criação dos corpos de Polícia Civil em todos os distritos portugueses com exceção de Lisboa e Porto.

 

O aparelho policial e a construção do Estado em Portugal.pdf

Boas leituras.

 


publicado por Vera Lourenço de Sousa | Sexta-feira, 03 Janeiro , 2014, 21:51

 

O busto do Coronel Ferreira do Amaral ficará para sempre nesta parada (parada das antigas instalações do CM de Lisboa) que passa a ter o seu nome, não só como testemunho do mais profundo respeito, máxima admiração e enternecida gratidão de todos quantos aqui servem, mas ainda como modelo e guia para os que de futuro vierem a servir na Corporação, e preito, muito singelo e simples é certo, a um dos grandes, dos maiores servidores da Nação na época actual".

 

"O magnífico busto, da autoria do escultor Maximiano Alves, agora centrando esta parada que lhe tomará o nome, ficará a acordar no espírito dos que por aqui passarem, o sentido do cumprimento de dever, a coragem, a serenidade, a bravura e o sacrifício que são virtudes da força pública. Mas também falará aos que o conheceram, da inteligência esclarecida, da argúcia, da nobreza, da dignidade pessoal, do patriotismo, da sempre elevada atitude moral deste português, ilustre entre os maiores, que coube em todos os actos da sua vida profissional constituir-se exemplo- porque raro - de raras virtudes".

 

"Atrás dele, naquelas lápidas, estão gravados a letras de ouro os nomes dos graduados e guardas que no cumprimento do dever, cairam em defesa da ordem".

 

"O seu retrato, fica colocado na sala que neste Comando tem o seu nome… a sua bengala foi o seu bastão de comando e a sua companheira inseparável…para imprimir energia às suas ordens, também lhe servia para, num gesto ameno, apontar um pormenor ou marcar no chão o esquema de um serviço a estabelecer".

 

Em Revista Polícia Portuguesa, 1954 (Março - Abril)

 

Relembre aqui o nosso 1º post sobre o Comandante Ferreira do Amaral


publicado por Vera Lourenço de Sousa | Sexta-feira, 15 Novembro , 2013, 20:42
 


Um "mimo" da nossa história!

"Somma e segue"

publicado por Vera Lourenço de Sousa | Sexta-feira, 04 Outubro , 2013, 19:48

 

 

 
Gosto da música, da autenticidade dos figurantes, da voz do CSP 22 13, da correria do Agente de farda cinzenta e da velocidade do CP!  
 
Gosto acima de tudo de comparar a modéstia dos meios e a grande vontade em resolver aquele crime!
 
Gosto de pensar que alguém em 1983 se preocupou com o recrutamento de novos Agentes para a PSP!
Gosto! {#emotions_dlg.ok}
 

publicado por Vera Lourenço de Sousa | Terça-feira, 14 Maio , 2013, 22:03

Ele esteve na génese dos serviços sociais, da Escola Prática de Polícia… ficou conhecido pelo seu sentido de ajuda social! Pedia a relação dos elementos que estavam de serviço e ia ter com eles… para saber se estavam bem! E o bem que fez não foi apenas à Polícia e aos polícias. Revela-nos a história que por onde passou deixou a sua marca. Ele foi Comandante Geral da PSP de 17 de Fevereiro de 1959 a 9 de Julho de 1968 e chamava-se Fernando de Magalhães Abreu Marques e Oliveira. Era Tomarense!

 

Na Ordem de serviço n.º 13 de 18 de Fevereiro de 1959 expressou o seguinte desejo: ”farei tudo por tudo para melhorar as condições de vida daqueles que a servem, cumprindo o meu dever abnegadamente”.

 

E em abril desse mesmo ano considerou que a obra social realizada na PSP se caracterizava por uma completa descentralização tendo em consideração que existiam várias instituições de previdência e de assistência nos vários comandos da PSP que estavam na génese de um apoio social diferenciado e desigualitário. Nomeou uma comissão para estudar o assunto e em 31 de dezembro desse mesmo ano é publicado o Decreto – Lei n.º 42794 que cria os Serviços Sociais da PSP tendo implementado “uma série de benefícios que ajudaram muitos Agentes a superar graves dificuldades, com destaque para as casas de habitação social, sendo o bairro dos Olivais, um exemplo dessa altura” (Serviços Sociais da PSP – 50 anos, 2009, página 23).

 

Também foi o impulsionador da criação da Escola Prática de Polícia(EPP). Muito embora a primeira referência a uma Escola de Polícia date de 31 de Dezembro de 1953 por ocasião da publicação do Decreto – lei n.º 39497 que referia que no Comando de Polícia de Lisboa funcionava uma Escola de Polícia destinada à preparação do pessoal dos restantes comandos, a verdade é que ninguém conseguiu implementar tão importante projeto para a formação dos policias, tendo sido revogada expressamente pelo Decreto – lei 44447 de 4 de Julho de 1962 que determinava que “o Comando Geral da Polícia de Segurança Pública dispõe de uma Escola Prática de Polícia destinada a instruir os novos agentes policiais e organizar cursos, exames para promoção ou especialização e orientação da corporação”.

 

Quatro anos mais tarde, era Fernando Oliveira, comandante geral da PSP, foi finalmente estabelecido o seu quadro orgânico (Decreto – lei 47267 de 21 de Outubro de 1966) e a 16 de Janeiro de 1967 a EPP iniciava a sua atividade e publicava a sua primeira Ordem de Serviço.

 

Mas não foi apenas entre nós que deixou boas razões para ser lembrado. Reza a história que durante a II Guerra Mundial comandou em Cabo Verde a 3ª Companhia de atiradores do Batalhão de Infantaria 15 que ficou aquartelada no centro do Mindelo. Numa época caracterizada pela fome extrema era muito comum ver a população a aglomerar-se à entrada do improvisado aquartelamento para receber alguma “sobra de rancho”. E ao contrário do que muitos fariam, deu ordens para que lhes fossem distribuídas todas as sobras que existissem e chegou mesmo a organizar um serviço de distribuição de ”sobras” deixando os níveis do depósito de géneros da companhia abaixo do que estava estabelecido e a interceder junto dos seus superiores sugerindo que todas as companhias procedessem de igual forma, o que veio a acontecer.

 

Por alguma razão, a rua em que esteve aquartelada a 3.ª Companhia de Atiradores do Batalhão de Infantaria 15 ficou, durante muito tempo, conhecida como “Rua Infantaria 15”.

 

 Na altura com 40 anos de idade terá sido convidado para o cargo de administrador do concelho de S. Vicente tendo declinado o convite. Para bem da PSP!

 

O capitão era venerado pelos seus antigos subordinados, que o recordavam pela sua competência profissional e pelo espírito humanitário oculto atrás do seu ar sóbrio e grave… e terá marcado indelevelmente a memória do povo do Mindelo” (por Adriano Miranda Lima em blog http://mindelosempre.blogspot.pt)

 

 

 À frente,  assinalado a vermelho com cerca de 40 anos de idade

Foto: Blog Praia de Bote

 

 Nasceu em 25 de Junho de 1903 em Tomar e faleceu na mesma cidade em 12 de Maio de 1975. Foi presidente da Câmara Municipal, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Tomar, vice-presidente da Casa do Concelho de Tomar e presidente da Empresa Editora “Cidade de Tomar”. São obras suas, o mercado da cidade, o parque de jogos, alguns bairros para famílias mais necessitadas, o palácio da Justiça, entre outros.Hoje é possível observar o seu busto no jardim da Várzea Pequena (nas proximidades do coreto), uma homenagem da Casa do Concelho de Tomar em Lisboa.

 

Terá falecido de morte súbita em 1975, aos 72 anos de idade, já general reformado. No seu funeral estiveram presentes vários polícias e militares vindos de vários pontos do país, o mesmo se passando nos anos seguintes no cemitério de Tomar por ocasião da data do seu falecimento. (Serviços Sociais da PSP – 50 anos, 2009 e http://mindelosempre.blogspot.pt)

 

"Os veteranos do ex-3.ª Companhia de Atiradores aproveitavam a ocasião do seu convívio anual para cumprir uma romagem ao jazigo do cemitério de Tomar onde estão depositados os restos mortais do “seu capitão". (por Adriano Miranda Lima em blog http://mindelosempre.blogspot.pt)

 

 

 

Há ou não há obra feita?

 

Pessoas que nos inspiram!

 


publicado por Vera Lourenço de Sousa | Segunda-feira, 11 Março , 2013, 19:02

Em 1865 decorreu no Palácio de Cristal no Porto a 1ª Exposição Internacional da Indústria. A exposição representava uma possibilidade de atualização de conhecimentos científicos e tecnológicos e a troca de experiências internacionais. Foi considerada um marco nacional e uma oportunidade de aumentar as trocas comerciais e de mostrar ao Mundo um Portugal civilizado e moderno. Na mesma estiveram presentes cerca de 3140 expositores de várias nacionalidades incluindo por exemplo França, Alemanha, Bélgica, Brasil e representantes dos Estados Unidos, Japão, Rússia, Turquia, entre outros e uma afluência de milhares de visitantes.

 

 
Por essa ocasião o Governo Civil instituiu a Agência Policial Portuense. A literatura aponta-a como o primeiro corpo de polícia civil em Portugal. Pretendia-se que durante o período da exposição policiasse a cidade, zelando pela ordem pública e que garantisse a proteção de pessoas e bens no interior do Palácio, se mostrasse moderna, profissional, com técnica e que soubesse usar a força (Santos, 2006, Cerezales, 2008, Gonçalves, sd).

 

Deteve um regulamento próprio, uniforme a arma. Os Guardas usavam casaco de pano azul, bonets do mesmo pano à francesa e terçado pendente de um cinturão. Era constituída pelos elementos das regedorias. Aqueles que se consideravam ser os melhores. Com experiência, de confiança, e conhecedores do meio (Santos, 2006, Cerezales, 2008, Gonçalves, sd).

 

A Agência integrou cerca de 140 guardas e sua ação foi extremamente aplaudida pelas elites da cidade do Porto que a referenciavam como um enorme êxito argumentando a favor da sua continuidade após o terminus da Exposição. E muito embora tenha reduzido o número do seu efetivo, a verdade é que se manteve até que fosse criada a Polícia Civil (Santos, 2006, Cerezales, 2008, Gonçalves, sd).

 

“Em Junho de 1866 discutiu-se na câmara dos deputados a legalização da despesa já feita e a fazer durante 1866. No ar estava já uma futura reforma de todo o sistema de segurança pública. Carlos Bento, na oposição, exclamava “não compreendo bem para que se há de conservar este corpo de polícia. Para experiência de quê, Senhores?”. A experiência - o “ensaio” - era uma polícia puramente civil”. (Gonçalves, sd, página 9).

 

Fontes:

Gonçalo Rocha Gonçalves (sd) Uma polícia para “todas as horas e todos os momentos”: a criação das polícias civis na transformação liberal do Estado (1862 – 1868), disponível aqui

 

Maria José Moutinho Santos (2006), A introdução de polícia civil em Portugal: entre projectos e realidades, os equívocos de uma política de segurança, um artigo integrado no livro Lei e ordem, justiça penal, criminalidade e polícia Seculos XIX-XX sob a coordenação de Pedro Tavares de Almeida e Tiago Pires Marques

 

Diego Palacios Cerezales, 2008 ESTADO, RÉGIMEN Y ORDEN PÚBLICO EN EL PORTUGAL COMTEMPORÁNEO, Tese de Doutoramento da FACULTAD DE CIENCIAS POLÍTICAS Y SOCIOLOGÍA, UNIVERSIDAD COMPLUTENSE DE MADRID, disponível aqui.

 

Foto - Blog Restos de Colecção

 
 

publicado por Vera Lourenço de Sousa | Segunda-feira, 18 Fevereiro , 2013, 22:20

Os chefes de esquadra tiveram uma importância considerável na formação dos polícias. Foram eles que assumiram quase integralmente a formação policial até às primeiras décadas do século XX.

 

que para se evitarem diversas faltas cometidas por vários guardas, devido ao pouco conhecimento que eles [a maioria] das vezes [têm] inerente ao melindroso cargo que exercem, de novo [se] suscita aos comandantes de esquadra e postosque nas preleções aos seus subordinados, os instruam convenientemente, para assim adquirirem o conhecimento do serviço e da máxima regularidade e sisudez no desempenho da sua missão” (Ordem do Corpo. nº 294 – 21 Outubro de 1894, Arq. Polícia Civil de Lisboa, NT230 NP092)

 

O momento de formação preparado pelos chefes de esquadra foi-se tornando cada vez mais formal: num primeiro momento designou-se um dia da semana para tal...

 

que para futuro seja designado o dia de 5ª feira de cada semana para que os chefes e comandantes de esquadras e postos façam as teorias designadas no nº 8 do art. 25º do Regulamento do Corpo, de forma que sejam feitas ao render dos quartos das 9 horas da manhã e 1 e 5 da tarde, tomando sempre de preferência para tema dessas teorias qual deverá ser a forma porque a polícia se deve portar nas suas relações para com o público, qual a maneira de apreciar e resolver quaisquer incidentes que se lhe dêem na rua, exemplificando casos policiais, que se hajam dado ou que possam vir a dar-se, tomando sempre por base as instruções que repetidas vezes se têm dado” (O.C. nº 277 – 4 de Outubro de 1897, Arq. Polícia Civil de Lisboa, NT233 NP095).

 

E a partir de 1915 concentrou-se num único período (de algumas semanas) antes da colocação numa esquadra (Cf. O.C. 335 – 1 de Dezembro de 1915, Arq. Polícia Civil de Lisboa, NT244 NP10695).

 

Mas só em 1966 foi criada a primeira Escola de Formação, a Escola Prática de Polícia e só a 13 de Março de 1967 teve início o primeiro curso, que se destinou à promoção a Subchefe e contou com 42 formandos.

 

Fonte: 

A Construção de uma Polícia Urbana (Lisboa, 1890 – 1940) Institucionalização, organização e práticas, Cândido Gonçalo Rocha Gonçalves, Tese de Mestrado, 2007, ISCTE

História da Polícia de Segurança Pública: das origens à atualidade, João Cosme, Edições Sílabo, 2006

 


publicado por Vera Lourenço de Sousa | Terça-feira, 22 Janeiro , 2013, 13:02

"A 22 de Outubro de 1876, Cristóvão Pedro Morais Sarmento foi nomeado para o cargo de Comissário Geral da Polícia Civil de Lisboa...

 

Nas ordens de serviço da polícia fica claro um certo paternalismo de C. Morais Sarmento em relação aos polícias. Um chefe sempre disposto a perdoar e a avisar pela última vez.

 

No dia 2 de Julho de 1890, C. Morais Sarmento telefonava á 4ª divisão transmitindo que “Sua Exa. o Sr. Governador Civil ordena que pela 4ª divisão se envie em todos os quartos de serviço, dois guardas de patrulha para o jardim de Algés onde todos os dias há bulhas entre passageiros e cocheiros e de noite se praticam toda a sorte de obscenidades”.

 

No dia seguinte: “Esta manhã fui ao dito jardim para verificar se a minha ordem havia sido cumprida. Nem no jardim, nem nas proximidades encontrei polícia algum”, mas não parece ter desistido: “tratando porém de procurar onde estariam os polícias fui encontrá-los dentro da estação da via férrea de Algés encostados a um ripado que deita para o mar, e em amena conversa com os carregadores da estação”. Assim, “Tão grave falta mereceria um castigo severo”, no entanto, limito-me porém a dar-lhe como pena duas patrulhas de castigo a cada um dos referidos guardas”.

 

(...)

 

"No dia 5 de Novembro de 1890, pedia “para bem da disciplina do corpo de polícia e para que haja igualdade na concessão de licenças e dispensas de serviço às praças de polícia novamente faço lembrar que somente a mim compete a concessão de licenças e dispensa dos quartos de serviço”. Uma vez que “tenho reparado que somente as praças de certas divisões me procuram para pedir essas dispensas de quartos de serviço, enquanto que as praças de outras divisões ou nunca precisam dessas dispensas ou então são por alguém infringidas as minhas ordens a esse respeito”. Mas, como todo o bom pai, adia para uma próxima vez a tomada de medidas mais severas: “antes de tomar sérias responsabilidades a esse alguém novamente e pela última vez faço relembrar esta minha ordem na certeza que ponho acima de todas as conveniências da disciplina do corpo que tenho honra de ser chefe"

 

 

Fonte:  A CONSTRUÇÃO DE UMA POLÍCIA URBANA (LISBOA, 1890 – 1940) INSTITUCIONALIZAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E PRÁTICAS

Cândido Gonçalo Rocha Gonçalves, Tese de Mestrado, 2007, ISCTE

 


publicado por Vera Lourenço de Sousa | Quinta-feira, 10 Janeiro , 2013, 00:03

"Em 1923 foi nomeado comandante o Tenente-coronel José (João??) Maria Ferreira do Amaral. Pela primeira vez durante o período republicano a Polícia teria uma liderança forte, estável e carismática. Ainda hoje, quem se deslocar à Sala Nobre do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa poderá ver com grande destaque as armas deste comandante e a sua imagem em tamanho consideravelmente maior ao dos outros comandantes da PSP também ali expostos...

 

Em comparação com os anteriores comandantes, Ferreira do Amaral assumiu, literalmente, na rua a manutenção da ordem. Os relatos da época mostram um chefe mais operacional e menos político. A sua reputação, em parte mitificada, ficou a dever-se a ao atentado que sofreu em Abril de 1925...

 

... a Legião Vermelha, atacou o comandante da polícia no caminho entre sua casa e o Governo Civil, na esquina da Rua da Escola Politécnica. O

comandante ficou gravemente ferido, sendo transportado para o Hospital de S. José. Nos dias que se seguiram a polícia, através de todas as secções, montou uma caça ao homem. Antes no entanto prestou homenagem ao seu comandante. Mil e quinhentos polícias, da segurança pública, investigação criminal e administrativa seguiram em cortejo para o Hospital. No final, “os guardas da Polícia de Segurança, em número superior a mil, formaram em coluna, e em rigorosa e silenciosa marcha, desfilaram, vindo assim até ao Rossio, onde foram destroçando e tomando o rumo das suas esquadras..."

 

Fonte:  A CONSTRUÇÃO DE UMA POLÍCIA URBANA (LISBOA, 1890 – 1940) INSTITUCIONALIZAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E PRÁTICAS

Cândido Gonçalo Rocha Gonçalves, Tese de Mestrado, 2007, ISCTE

 

Tenente-coronel Ferreira do Amaral
Foto: Liga dos Combatentes  
 
Em revista à Polícia (Campo Pequeno - 03-03-1926)
Foto: Arquivo Torre do Tombo 
 
Almoço em sua homenagem no Club Maxim’s (14-03-1926)
Foto: Arquivo Torre do Tombo
 
 

publicado por Vera Lourenço de Sousa | Segunda-feira, 07 Janeiro , 2013, 23:53

A transição da Polícia Civil de Lisboa para a Polícia Cívica de Lisboa

 

"No dia 3 de Outubro de 1910 os conspiradores republicanos, bem infiltrados entre as forças militares, avançaram até à Rotunda apenas incomodados por alguns tiros da Guarda Municipal e da Polícia. Ao raiar do dia 4 a revolução tinha fracassado, as tropas estavam acantonadas na Rotunda, a Carbonária não dava sinal de si, e a Guarda Municipal parecia dominar a cidade. Os membros do directório do partido republicano andavam pela cidade, a maior parte no centro do partido em S. Carlos, paredes-meias com o edifício do Governo Civil e Comando da Polícia. À tarde, forças governamentais atacaram as forças na Rotunda que resistiram subindo o moral dos republicanos. No Tejo cruzadores afectos aos republicanos bombardearam as Necessidades e foram

depois estacionar junto à alfândega. Ficava claro, mesmo antes de os combates começarem a sério, que as forças republicanas estavam em superioridade. Às dez da manhã do dia 5 nos Paços do Concelho de Lisboa foi proclamada a República de Portugal. Praticamente sem combates a monarquia tinha caído, morreram 70 pessoas, apenas 10 eram militares. 5 eram polícias (Ramos, 2001).

 

A ordem de serviço do dia 4 da Polícia Civil revelava ainda alguma normalidade. Distribuía-se o serviço aos oficiais superiores, indicava-se a inspecção médica a alguns guardas. No dia 5, estranhamente, manteve-se a normalidade, novamente se distribuía o serviço e até se procedia à transferência de esquadra de uns, poucos, policias. Entre os dias 6 e 8 de Outubro praticamente não existiram ordens de serviço. Antes da ordem de dia 9 o livro de registo apresenta dois traços vermelhos logo seguidos em letra grande – Polícia Cívica, Segurança Pública – e por baixo, Ordem de Serviço nº 1. O comandante despedia-se: “durante [os] 17 anos [que] vos comandei tive muitas ocasiões de notar quanto éreis dedicados pelo serviço e cumpridores das leis, respeitando sempre os vossos superiores; por isso peço-vos que continueis a servir com a mesma lealdade a Republica, sistema governativo escolhido pela nação que temos por dever respeitar e defender.” Novos tempos tinham chegado."

 

Fonte:  A CONSTRUÇÃO DE UMA POLÍCIA URBANA (LISBOA, 1890 – 1940) INSTITUCIONALIZAÇÃO, ORGANIZAÇÃO E PRÁTICAS

Cândido Gonçalo Rocha Gonçalves, Tese de Mestrado, 2007, ISCTE

 

Foto: o povo em frente à CM aclama a proclamação da República. Cedida à TVI por Arquivo Municipal de Lisboa 

 

 

 


publicado por Vera Lourenço de Sousa | Segunda-feira, 10 Dezembro , 2012, 19:58

 

 

"O autor não está identificado nesta edição de Janeiro de 1970 da revista Flama onde encontro a fotografia, mas ela é notável a todos os títulos: ao fundo, os velhos autocarros de dois andares, e em primeiro plano os cavalos da guarda e o carocha “creme nívea”, nome que então se dava aos carros da polícia, por terem as cores do clássico creme e serem igualmente arredondados como as latas azuis e brancas...

Mas o mais engraçado é saber o que esta fotografia ilustra: dentro do carro da polícia vai o árbitro João Nogueira, que só devidamente protegido pela PSP escapou à fúria dos benfiquistas que, num encontro com o Belenenses, invadiram o campo depois da expulsão de dois jogadores encarnados. Valeu ao árbitro o então médio Toni, que o escoltou até aos balneários. Eusébio terá comentado: “este árbitro só sai daqui disfarçado de polícia”. Não foi disfarçado, foi escoltado."

 

Publicado em http://pre-historia.blogs.sapo.pt/

 

http://www.record.xl.pt/arquivo/interior.aspx?content_id=154580


publicado por Vera Lourenço de Sousa | Terça-feira, 04 Dezembro , 2012, 13:06

 

Iniciamos hoje uma rubrica à qual chamaremos – Recuperamos a nossa história.

 

Nela incluiremos narrações e fotos que nos remetem para o passado e que nos permitem conhecer ou recordar pessoas, episódios, acontecimentos e outras memórias da Polícia de Segurança Pública. Para que não sejam esquecidas!

 

 

Toca a parar! Toca a parar!

Luvas brancas, largos gestos
E grandes exaltações.
Dá passagem aos veículos,
Manda parar os peões.

Mãos para acolá,
Mãos para ali,
Toca a passar
Pi… pi… ri… pi…

Capacete desabado,
Um apito muito agudo,
Carrega a cara de mau
E pronto… está tudo mudo!

Mãos para acolá,
Mãos para ali,
Toca a passar
Pi… pi… ri… pi…
Aluno da Escola: EUGÉNIO DOS SANTOS

 

 

"Entre as tradições da nossa «Lisboa» conta-se a figura do sinaleiro da PSP, primeiro apeado e depois no seu característico pedestal ou peanha, alvo tantas vezes atingido pela objectiva das câmaras fotográficas – e não só…
Foi em 1927 que o Comandante da Secção de Trânsito da PSP de Lisboa instituiu o sinaleiro «cabeça de giz» como então era conhecido, equipado com capacete, luvas e «cassetete» brancos, usando ainda a braçadeira vermelha com T que mais tarde passou a ser o distintivo das brigadas de trânsito.
Algum tempo depois, os sinaleiros passaram a usar também punhos, cinturão e talabarte brancos.
Os efectivos destes verdadeiros auxiliares do trânsito, tão prestimosos como queridos da população citadina, chegaram a atingir, em Lisboa, o número de 270, disseminados pelas principais intercepções da cidade. Com a implantação dos semáforos, esse efectivo diminuiu, e em 1974 contavam-se somente 72 sinaleiros.
Mais que quaisquer outros elementos dos vários ramos da instituição policial, o sinaleiro teve a sua história: história duma missão árdua e ingrata, por vezes, mas ao mesmo tempo garbosa, prazenteira e até hilariante!
O sinaleiro era pois a figura do agente do trânsito, o herói de tantos sacrifícios, ao sol e à chuva, implacavelmente preso ao seu pedestal ou de pés colados ao asfalto quente do pavimento. O sinaleiro era a atracção do turista, era a curiosidade da criança que passava, era para o camponês que ia à cidade, a figura senhorial que mandava e a quem tudo obedecia. O sinaleiro era o símbolo da polícia citadina."

 

Publicado por mvhorta em http://mvhorta.blogspot.pt/


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